Encontro Municipal de Educação - Sessão Temática 3

Wednesday, October 18, 2006

Apresentação

Encontro Municipal de Educação de Cariacica

Sessão Temática 3
VALORIZAÇÃO DA INICIATIVA PESSOAL E PROJETOS GERADOS NA PRÓPRIA ESCOLA
Profª. Márcia Mazocco (mmazocco@hotmail.com)
Prof. Ms. Orlando Lopes (orlandolopes2002@yahoo.com.br)

SINOPSE

A participação é um dos elementos fundamentais para a efetivação da Escola Cidadã. Tão importante quanto manter e melhorar as condições de trabalho e ensino é o estímulo ao envolvimento dos servidores da Educação na proposição de projetos e atividades que respeitem os princípios mínimos de autonomia, individualidade e afinidade, ou seja, aqueles que se caracterizam pelo impulso da iniciativa pessoal. A escola, que normalmente é vista como espaço de reprodução (política, ideológica, pedagógica e didática), depende hoje da valoriação da inciativa pessoal para integrar de forma mais orgânica - e mais plural - os diversos sujeitos e grupos de trabalho que initeragem no contexto do espaço escolar.


APRESENTAÇÃO

A participação é um dos elementos fundamentais para a efetivação da Escola Cidadã. Tão importante quanto manter e melhorar as condições de trabalho e ensino é o estímulo ao envolvimento dos servidores da Educação na proposição de projetos e atividades que respeitem os princípios mínimos de autonomia, individualidade e afinidade, ou seja, aqueles que se caracterizam pelo impulso da iniciativa pessoal. A escola, que normalmente é vista como espaço de reprodução (política, ideológica, pedagógica e didática), depende hoje da valorização da iniciativa pessoal para integrar de forma mais orgânica - e mais plural - os diversos sujeitos e grupos de trabalho que interagem no contexto do espaço escolar.

Quando pensamos na importância da iniciativa pessoal e da existência efetiva de projetos gerados no contexto escolar, estamos nos abrindo para uma realidade que, até poucos anos atrás, seria impensável. Dado os contextos políticos e ideológicos vividos no Brasil dos anos 70 e 80, e a desmobilização ocorrida nos anos 90, marcadamente “sucateados” e “neoliberalizados”, ao menos no que dizia respeito à Educação, somente nos últimos anos tornou-se novamente possível imaginar uma escola construída por aqueles que nela trabalham, e que nela compartilham seus interesses e necessidades.

Paulo Freire não cansava de repetir que "antes de aprender qualquer coisa, uma pessoa precisa ler primeiro o seu mundo". E o que significa "ler o seu mundo"? Significa analisar e interpretar os limites e as potencialidades da realidade que nos cerca, significa compreender a correlação de forças históricas e políticas das quais participamos, seja de forma consciente ou inconsciente. Afinal, somente aqueles que procuram entender o mundo podem encontrar as forças necessárias para nele interferir, e modificá-lo.

Segundo Padilha (2001), uma escola que não consegue se decidir por um projeto educacional caminha sem direção e tem poucas chances de contribuir para a formação cidadã e para o pleno desenvolvimento das atuais e futuras gerações. O planejamento em educação só faz sentido quando elaborado a partir das relações mais fundamentais da escola, das relações que se dão na sala de aula e fora dela. "Aula" tornou-se, há muito tempo, uma palavra estreita, pobre para caracterizar a complexa atividade que é tecida no cotidiano da escola. Resta saber como nós, ao percebermos o mesmo fenômeno, podemos incorporá-lo às nossas práticas de trabalho, seja diretamente no "Círculo de Cultura" (que é como Paulo Freire define as relações mais fundamentais da escola e da sala de aula), ou nas demais situações de trabalho que acompanham e dão suporte à ação educacional. Os projetos entrelaçados no cotidiano das escolas devem unir-se num esforço de suplantar as alienações que se tecem ao nosso redor, criando condições para que todos/as possam exercer a sua cidadania, a sua consciência crítica e criadora.

E essas colocações nos remetem às seguintes indagações: De que forma a opção por uma Escola Cidadã se relaciona com a valorização da iniciativa pessoal? Quais as formas de participação disponíveis aos servidores da SEME? Como agir para ampliar o potencial de participação e engajamento do quadro funcional da SEME na implementação de seu projeto educacional? Que ações precisam ser desencadeadas no contexto da educação de Cariacica para viabilizar a incorporação da valorização da iniciativa pessoal e projetos gerados na própria escola à práxis pedagógica e ao cotidiano da escola?


OBJETIVOS
  • Oportunizar debates sobre a temática para formação de grupos de trabalho e de estudo;
  • Contribuir para a reflexão sobre a transformação social com o compromisso de construção de novos princípios;
  • Discutir e refletir sobre a educação cidadã nos projetos desenvolvidos pelas escolas da Rede Municipal de Educação.

METODOLOGIA PARA DINÂMICA DOS TRABALHOS
8h30min - Os Coordenadores deverão entregar um texto de no máximo uma lauda e meia que sintetize o conteúdo da variável central do tema a ser trabalhado. Abrir a discussão para esclarecimentos e debates (duração aproximada de 30 min.). Ao final do texto deverá aparecer a questão: “Que ações precisam ser desencadeadas no contexto da educação em Cariacica para viabilizar a incorporação de ‘tal’ procedimento à práxis pedagógica e ao cotidiano da escola?”. O texto deverá ter o nome dos autores de acordo com as normas da ABNT, pois será publicada nos anais do Evento.

9h - Em seguida, encaminhar os trabalhos para que, em 10 grupos de cinco pessoas, respondam à questão: “Que ações precisam ser desencadeadas no contexto da educação em Cariacica para viabilizar a incorporação de ‘tal’ procedimento (nome da temática) à práxis pedagógica e ao cotidiano da escola?” (duração 30 min). Cada pequeno grupo deverá eleger 1 relator que vai elaborar a síntese do grupo e apresentá-la ao grupo dos 50. O relator fará esta síntese em papel chamex A4.

9h30min - Voltar ao grupo dos 50 para (dinâmica de exposição simultânea) fazer a triagem e síntese do que vai ser levado à Plenária como proposta de ação (duração 30 min). Escolher o relator para o grupo grande. A síntese será colado no papel cenário. Ao finalizar os trabalhos, entregar as sínteses para Vanessa e Otávia que irão digitar no computador, para ser transmitido através de telões espalhados pelo auditório principal.

Plenária
10h - Concluir e encaminhar o grupo para o auditório (90 min). 10h30min - Cada relator se apresentará em tempo de 5 minutos.Ao final das 8 apresentações, abrir para o debate. Cada fala terá duração de três minutos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: como construir um projeto politico pedagógico.Vol. 7 (2001).


Sugestões de Leitura

DALLA, Maria Isabel Zen (org.). Projetos Pedagógicos: Cenas de Sala de Aula, Porto Alegre, Ed. Mediação.
DIAS, Adelaide Alves. Educação moral e autonomia na educação infantil: o que pensam os professores. Psicol. Reflex. Crit., Sept./Dec. 2005, vol.18, no.3, p.370-380. ISSN 0102-7972. Este trabalho visa a analisar concepções sobre autonomia e educação moral de educadoras infantis e relacionar tais concepções com o desenvolvimento de práticas pedagógicas na Educação Infantil. Ancorado no referencial teórico da educação moral como construção, parte do pressuposto de que a forma como as educadoras concebem estes fenômenos pode influir em suas ações educativas, norteando, por vezes, suas próprias práticas. Ao todo, 15 educadoras infantis de oito creches públicas da cidade de Niterói, RJ participaram da pesquisa. As entrevistas realizadas permitiram mostrar, mediante procedimentos qualitativos de categorização e Análise de Conteúdo, que, majoritariamente, as educadoras expuseram concepções abstratas e individualizadas sobre autonomia e educação moral. Permitiram mostrar, ainda, que tais concepções se constituem na base das propostas educativas de promoção da autonomia das educadoras, apontando para a necessidade de que seja feita uma reflexão sobre os fundamentos da educação moral que se pretende autônoma, considerando as especificidades da criança pequena.
Keywords: Autonomia; educação moral; educação infantil.· abstract in english · text in portuguese · pdf in portuguese

EIRADO, André do and PASSOS, Eduardo. A noção de autonomia e a dimensão do virtual. Psicol. estud., Jan./Apr. 2004, vol.9, no.1, p.77-85. ISSN 1413-7372.O artigo discute a relação entre a Biologia do Conhecimento de H. Maturana e F. Varela e a filosofia de H. Bergson. Os conceitos de autonomia e autopoiese propostos por Maturana e Varela no campo dos estudos da cognição são articulados com o conceito bergsoniano de virtual. Tais articulações são possibilitadas por afinidades entre os dois campos conceituais investigados. O conceito de subjetividade é articulado à dinâmica circular e paradoxal da autopoiese. É afirmado que esta dinâmica circular pode ser pensada a partir da lógica da criação em Bergson e que implica a distinção entre o atual e o virtual.
Keywords: autonomia; autopoiese; virtual.· abstract in english · text in portuguese · pdf in portuguese

GADOTTI, Moacir e Romão, José Eustáquio Romão. A autonomia da escola pública: princípios e propostas.2ª ed.(orgs.). Vol. 1 (1998). Resumo: A Escola Cidadã é aquela que se assume como um centro de direitos e de deveres. O que a caracteriza é a formação para a cidadania. A Escola Cidadã, então, é a escola que viabiliza a cidadania de quem está nela e de quem vem a ela. Ela não pode ser uma escola cidadã em si e para si. Ela é cidadã na medida mesma em que se exercita na construção da cidadania de quem usa o seu espaço. A Escola Cidadã é uma escola coerente com a liberdade. É coerente com o seu discurso formador, libertador. É toda escola que, brigando para ser ela mesma, luta para que educandos e educadores também sejam eles mesmos. E como ninguém pode ser só, a Escola Cidadã é uma escola de comunidade, de companheirismo. É uma escola de produção comum do saber e da liberdade. É uma escola que não pode ser jamais silenciosa nem jamais autoritária. É uma escola que vive a experiência tensa da democracia.

GÓMEZ,Margarita Victoria. Educação em rede: uma visão emancipatória.Vol. 11 (2004)

GUTIÉRREZ, Francisco e Prado, Cruz. Ecopedagogia e cidadania planetária.Vol. 3. (1999). Resumo: A noção da Cidadania Planetária sustenta-se na visão unificadora do planeta e de uma sociedade mundial. Ela abarca um conjunto de princípios, valores, atitudes e comportamentos e demonstra uma nova percepção da Terra como uma única comunidade. Ela se manifesta em diferentes expressões: "nossa humanidade comum", "unidade na diversidade", "nosso futuro comum", "nossa pátria comum". É nesse contexto que se pode falar de Ecopedagogia. Uma pedagogia que promove a aprendizagem, significativa, democrática e solidária, que nos convida, educadores/as, a garantir a sustentabilidade de cada um de nossos atos cotidianos como seres humanos que compartilham com outros seres a aventura de viver neste planeta.

HERNÁNDEZ, Fernando e Ventura, Montserrat. A Organização do Currículo por Projetos de Trabalho – O Conhecimento é um Caleidoscópio. Porto Alegre, Ed. Artmed.

ROMÃO,José Eustáquio. Avaliação dialógica: desafios e perspectivas. 6ª ed. Vol. 2 (1998). Resumo: José Eustáquio Romão, nesta obra primorosa e atual, responde, metodicamente, às exigências e aos limites de uma nova e necessária forma de avaliação do desempenho escolar. Este livro é uma grande contribuição aos que procuram neste momento os caminhos para uma escola ao mesmo tempo autônoma e unitária, alegre e séria, compromissada com o projeto de vida de todos os que a fazem, com a sua participação carinhosa e envolvente. Trata-se realmente de mais um "guia da escola cidadã".
abstract in english · text in portuguese · pdf in portuguese

ROSENFIELD, Cinara L. Autonomia outorgada e apropriação do trabalho. Sociologias, July/Dec. 2004, no.12, p.202-227. ISSN 1517-4522. O objetivo deste trabalho é discutir o significado da autonomia outorgada enquanto corolário organizacional de uma demanda de mobilização subjetiva. O trabalho vive a contradição entre a apologia da autonomia e uma organização do trabalho crescentemente normalizada, onde ser autônomo é a regra. O conceito de autonomia no trabalho lança mão de duas questões: a dimensão operacional e a dimensão identitária. A transformação do trabalho em um bem cuja possessão exige sacrifícios e a transformação do emprego em um privilégio culminam em uma sujeição da própria pessoa do trabalhador, sem se colocar realmente a questão da reapropriação do trabalho, o que a priori acompanharia a autonomia no trabalho. A questão central, no entanto, não pode se diluir neste paradoxo entre autonomia real e autonomia outorgada: a busca de autonomia situa-se fora da lógica econômica e dentro de uma lógica de valores e de conquista de sentido, enquanto que a autonomia outorgada inscreve-se em uma lógica instrumental.
Keywords: normalização do trabalho; autonomia outorgada; ganhos simbólicos; lógica instrumental.· abstract in english · text in portuguese · pdf in portuguese

Sites para ampliação da discussão da temática
www.bibvirt.futuro.usp.br/textos
www.jornaldomeioambiente.com.br
www.scielo.br
www.revistaea.arvore.com.br
www.ambientebrasil.com.br
www.amigodomeioambiente.com.br
www.folhadomeioambiente.com.br
www.apoema.com.br
www.hortaviva.com.br
http://www.mma.gov.br/r

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